Seja bem-vindo, visitante

Olá, Visitante. Chegou aqui, vindo sei lá de onde, quiçá cansado de tantas caminhadas e descaminhos. Pois bem, sente-se, relaxe e leia algumas destas coisinhas, vai ver que fica melhor... Um abraço da Felipa

sábado, 3 de abril de 2010

Poema do afinal


No mesmo instante em que eu, aqui e agora,
Limpo o suor e fujo ao Sol ardente,
Outros, outros como eu, além e agora,
Estremecem de frio e em roupas se agasalham.

Enquanto o Sol assoma, aqui, no horizonte,
E as aves cantam e as flores em cores se exaltam,
Além, no mesmo instante, o mesmo Sol se esconde,
As aves emudecem e as flores cerram as pétalas.
Enquanto eu me levanto e aqui começo o dia,
Outros, no mesmo instante, exactamente o acabam.
Eu trabalho, eles dormem; eu durmo, eles trabalham.
Sempre no mesmo instante.

Aqui é Primavera. Além é Verão.
Mais além é Outono. Além, Inverno.
E nos relógios igualmente certos,
Aqui e agora,
O meu marca meio-dia e o de além meia-noite.

Olho o céu e contemplo as estrelas que fulgem.
Busco as constelações, balbucio os seus nomes.
Nasci a olhá-las, conheço-as uma a uma.
São sempre as mesmas, aqui, agora e sempre.

Mas além, mais além, o céu é outro,
Outras são as estrelas, reunidas
Noutras constelações.

Eu nunca vi as deles;
Eles,
Nunca viram as minhas.

A Natureza separa-nos.
E as naturezas.
A cor da pele, a altura, a envergadura,
As mãos, os pés, as bocas, os narizes,
A maneira de olhar, o modo de sorrir,
Os tiques, as manias, as línguas, as certezas.

Tudo.

Afinal
Que haverá de comum entre nós?

Um ponto, no infinito.

(António Gedeão)

segunda-feira, 22 de março de 2010

Chegou a Primavera, finalmente!



Deixo apenas estas duas imagens, esperando que a Primavera nos traga bom tempo...

sábado, 20 de março de 2010

Folhas



























Folhas
lamentos que o vento leva
saudades que o tempo traz:
o Outono adormece a espera
que além do tempo se faz...

E além do tempo em que espero
pelo regresso ansiado
do verde da Primavera
sonho acordada a quimera
que me transporta ao passado
neste Outono, neste Inverno
em que no tempo adormeço
ao te sentir acordado
no tempo em que me despeço
do tempo que era a teu lado
sonho, mar e nostalgia
e marés de amor salgado...

(Felipa Monteverde)
Dedicado aos meus amigos brasileiros, que vão entrar hoje na bonita estação do Outono.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Hoje apetece-me ouvir música...


Esta canção transporta-me à minha infância e adolescência, quando era bastante comum os cantores italianos editarem os seus discos em Portugal...

sábado, 13 de março de 2010

Que te interessa o que sinto?

Que te interessa o que sinto
Se nada queres que eu sinta?
Tu queres-me calada, ainda que finja
E queres-me discreta, ainda que minta…

Não queres que eu tenha sentimentos
Queres que passe despercebida pela vida
Que seja respeitável e educada e calada...
Mas para isso, eu não poderia ser quem sou
Não poderia sentir as injustiças e revoltas
Nem o desprezo que sinto pela vida que não tenho.

Não poderia ser quem me nasci
Teria de ser quem queres que eu seja
Senão zangar-te-ias...
Mas assim eu não seria uma mulher
Seria a escrava, a criada, a tua serva
A que faz o que não quer…

Não poderia sentir as emoções
Que o pensamento me transmite
Teria de calar, de fingir que nada sei e nada vi
Do que sei e do que vi e percebi...

Teria de me tornar outra pessoa, mas
Não gosto dessa coisa que tu queres que eu seja
E não quero ser outra pessoa a não ser eu
Quero ser eu, só eu e ninguém mais
E jamais, JAMAIS
Conseguiria fingir que nada sinto e nada sei…

(Felipa Monteverde)

sábado, 6 de março de 2010

Um, dois, três...

Um, dois, três,
Foi a conta que Deus fez…

Mas fez mesmo?
E porquê?
Porquê três, se bastam dois?

Dois corações bem juntinhos
Dormindo agarradinhos…

Enganou-se Deus nas contas
Ou contou mais do que havia?

Não três, mas dois corações
E o amor que os junta…
Será isso que Deus conta?

(Felipa Monteverde)