A gente pode
morar numa casa mais ou menos,
numa rua mais ou menos,
numa cidade mais ou menos
e até ter um governo mais ou menos.
A gente pode
dormir numa cama mais ou menos,
comer um feijão mais ou menos,
ter um transporte mais ou menos
e até ser obrigado a acreditar
mais ou menos no futuro.
A gente pode
olhar em volta e sentir que tudo está mais ou menos.
Tudo bem.
O que a gente não pode
mesmo, nunca, de jeito nenhum
é amar mais ou menos,
é sonhar mais ou menos,
é ser amigo mais ou menos,
é namorar mais ou menos,
é ter fé mais ou menos
e acreditar mais ou menos.
Senão a gente corre o risco de se tornar
uma pessoa mais ou menos..
(Chico Xavier)
(Retirado de: http://isabelaedemais.blogspot.com/search?updated-max=2009-10-09T11%3A03%3A00-07%3A00&max-results=7 )
sábado, 10 de abril de 2010
domingo, 4 de abril de 2010
sábado, 3 de abril de 2010
Poema do afinal

No mesmo instante em que eu, aqui e agora,
Limpo o suor e fujo ao Sol ardente,
Outros, outros como eu, além e agora,
Estremecem de frio e em roupas se agasalham.
Enquanto o Sol assoma, aqui, no horizonte,
E as aves cantam e as flores em cores se exaltam,
Além, no mesmo instante, o mesmo Sol se esconde,
As aves emudecem e as flores cerram as pétalas.
Enquanto eu me levanto e aqui começo o dia,
Outros, no mesmo instante, exactamente o acabam.
Eu trabalho, eles dormem; eu durmo, eles trabalham.
Sempre no mesmo instante.
Aqui é Primavera. Além é Verão.
Mais além é Outono. Além, Inverno.
E nos relógios igualmente certos,
Aqui e agora,
O meu marca meio-dia e o de além meia-noite.
Olho o céu e contemplo as estrelas que fulgem.
Busco as constelações, balbucio os seus nomes.
Nasci a olhá-las, conheço-as uma a uma.
São sempre as mesmas, aqui, agora e sempre.
Mas além, mais além, o céu é outro,
Outras são as estrelas, reunidas
Noutras constelações.
Eu nunca vi as deles;
Eles,
Nunca viram as minhas.
A Natureza separa-nos.
E as naturezas.
A cor da pele, a altura, a envergadura,
As mãos, os pés, as bocas, os narizes,
A maneira de olhar, o modo de sorrir,
Os tiques, as manias, as línguas, as certezas.
Tudo.
Afinal
Que haverá de comum entre nós?
Um ponto, no infinito.
(António Gedeão)
segunda-feira, 22 de março de 2010
sábado, 20 de março de 2010
Folhas

Folhas
lamentos que o vento leva
saudades que o tempo traz:
o Outono adormece a espera
que além do tempo se faz...
E além do tempo em que espero
pelo regresso ansiado
do verde da Primavera
sonho acordada a quimera
que me transporta ao passado
neste Outono, neste Inverno
em que no tempo adormeço
ao te sentir acordado
no tempo em que me despeço
do tempo que era a teu lado
sonho, mar e nostalgia
e marés de amor salgado...
(Felipa Monteverde)
(Felipa Monteverde)
Dedicado aos meus amigos brasileiros, que vão entrar hoje na bonita estação do Outono.
quarta-feira, 17 de março de 2010
Hoje apetece-me ouvir música...
Esta canção transporta-me à minha infância e adolescência, quando era bastante comum os cantores italianos editarem os seus discos em Portugal...
sábado, 13 de março de 2010
Que te interessa o que sinto?
Que te interessa o que sinto
Se nada queres que eu sinta?
Tu queres-me calada, ainda que finja
E queres-me discreta, ainda que minta…
Não queres que eu tenha sentimentos
Queres que passe despercebida pela vida
Que seja respeitável e educada e calada...
Mas para isso, eu não poderia ser quem sou
Não poderia sentir as injustiças e revoltas
Nem o desprezo que sinto pela vida que não tenho.
Não poderia ser quem me nasci
Teria de ser quem queres que eu seja
Senão zangar-te-ias...
Mas assim eu não seria uma mulher
Seria a escrava, a criada, a tua serva
A que faz o que não quer…
Não poderia sentir as emoções
Que o pensamento me transmite
Teria de calar, de fingir que nada sei e nada vi
Do que sei e do que vi e percebi...
Teria de me tornar outra pessoa, mas
Não gosto dessa coisa que tu queres que eu seja
E não quero ser outra pessoa a não ser eu
Quero ser eu, só eu e ninguém mais
E jamais, JAMAIS
Conseguiria fingir que nada sinto e nada sei…
(Felipa Monteverde)
Se nada queres que eu sinta?
Tu queres-me calada, ainda que finja
E queres-me discreta, ainda que minta…
Não queres que eu tenha sentimentos
Queres que passe despercebida pela vida
Que seja respeitável e educada e calada...
Mas para isso, eu não poderia ser quem sou
Não poderia sentir as injustiças e revoltas
Nem o desprezo que sinto pela vida que não tenho.
Não poderia ser quem me nasci
Teria de ser quem queres que eu seja
Senão zangar-te-ias...
Mas assim eu não seria uma mulher
Seria a escrava, a criada, a tua serva
A que faz o que não quer…
Não poderia sentir as emoções
Que o pensamento me transmite
Teria de calar, de fingir que nada sei e nada vi
Do que sei e do que vi e percebi...
Teria de me tornar outra pessoa, mas
Não gosto dessa coisa que tu queres que eu seja
E não quero ser outra pessoa a não ser eu
Quero ser eu, só eu e ninguém mais
E jamais, JAMAIS
Conseguiria fingir que nada sinto e nada sei…
(Felipa Monteverde)
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