Não sei ver as diferenças
Na lonjura que há em mim
Nas traves de um aconchego
Nas sebes do teu jardim
Sem saber as parecenças
Com viver e recuar
Dos sonhos que não sonhei
Por não querer acordar.
Não faço a cama em que dormes
Sozinho na noite escura
Nem sei lençóis mal bordados
Em panos de tal alvura
Sei que sofres desavenças
Que te levam o receio
De entenderes parecenças
Entre dormir e chorar
Entre acordar e mentir
Entre sofrer e esperar.
Não sei fados de navios
Não sei sinas de ninguém
Só conheço desvarios
Que me conhecem também
Mas iludo essa querença
Com o olhar mais selvagem
Que me dão esses teus olhos
Numa torre de menagem
Que ninguém irá vencer
Nem iludir sensações
Nem teus modos perceber
Nas tuas falsas paixões.
Aos sentidos recusei
A espera que me impunhas
Em me dares o que te dei
Quando mais alto te punhas
Mas o sentido enganou-me
Não me deu o que te dei
Não me deu esses teus olhos
E por eles me ceguei
Não me devolveu a alma
Que a ti eu entreguei
Mas prendeu-me ao teu abraço
Onde nunca repousei.
(Felipa Monteverde)
Seja bem-vindo, visitante
Olá, Visitante. Chegou aqui, vindo sei lá de onde, quiçá cansado de tantas caminhadas e descaminhos. Pois bem, sente-se, relaxe e leia algumas destas coisinhas, vai ver que fica melhor... Um abraço da Felipa
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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Divagando...
Fiquei contente sem motivo algum, apenas vi o sol raiar
e soube nessa hora matutina que a vida vale a pena ser vivida...
pois viver é ser alguém, ainda que esse alguém
seja matéria adormecida.
Se sonhar é ter o mundo ao nosso gosto
acordar é viajar para o desconhecido espaço das estrelas
e perceber então que o sol adormeceu...
com a cabeça no regaço delas.
Eu queria ser estrela, ser um astro
mas apenas sou candeiazinha a alumiar
o caminho por onde irás passar...
um lampião velhinho e gasto.
Escrevo a noite e canto o dia, e o mundo é apenas
sonho e fado em que a minh'alma se enterrou...
sepultura negra e fria, campa rasa em solo de ervas
onde a vida se escondeu e me deixou.
Acordei dentro do tempo
e tinha adormecido dentro do teu coração...
agora vivo à espera de voltar a adormecer
mas a distância afastou-me do teu peito
e libertou da tua a minha mão.
(Felipa Monteverde)
e soube nessa hora matutina que a vida vale a pena ser vivida...
pois viver é ser alguém, ainda que esse alguém
seja matéria adormecida.
Se sonhar é ter o mundo ao nosso gosto
acordar é viajar para o desconhecido espaço das estrelas
e perceber então que o sol adormeceu...
com a cabeça no regaço delas.
Eu queria ser estrela, ser um astro
mas apenas sou candeiazinha a alumiar
o caminho por onde irás passar...
um lampião velhinho e gasto.
Escrevo a noite e canto o dia, e o mundo é apenas
sonho e fado em que a minh'alma se enterrou...
sepultura negra e fria, campa rasa em solo de ervas
onde a vida se escondeu e me deixou.
Acordei dentro do tempo
e tinha adormecido dentro do teu coração...
agora vivo à espera de voltar a adormecer
mas a distância afastou-me do teu peito
e libertou da tua a minha mão.
(Felipa Monteverde)
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Quando a noite vem...
Quando a noite vem, deixo que a minha alma durma
entre os sonhos desmentidos pelo som do verbo amar...
Que amar é tão forte como o vento
o vento que espalha os meus sentidos por sobre as águas do mar...
(Felipa Monteverde)
entre os sonhos desmentidos pelo som do verbo amar...
Que amar é tão forte como o vento
o vento que espalha os meus sentidos por sobre as águas do mar...
(Felipa Monteverde)
Dorme na noite o sentido
Dorme na noite o sentido
que dei ao meu coração
sossegado, adormecido
nesta sã escuridão
que me afasta os temores
que me aproxima a saudade
dos meus distantes amores
dos dias da mocidade
em que brincava na rua
em que plantava jardins
em que era dona da lua
entre anjos e querubins
e passeava na vida
como quem vive a brincar
como quem sabe a partida
mas tem ânsias de ficar
no tempo que tudo esquece
no tempo que tudo dá
aos sentidos de quem tece
teias onde morrerá...
(Felipa Monteverde)
que dei ao meu coração
sossegado, adormecido
nesta sã escuridão
que me afasta os temores
que me aproxima a saudade
dos meus distantes amores
dos dias da mocidade
em que brincava na rua
em que plantava jardins
em que era dona da lua
entre anjos e querubins
e passeava na vida
como quem vive a brincar
como quem sabe a partida
mas tem ânsias de ficar
no tempo que tudo esquece
no tempo que tudo dá
aos sentidos de quem tece
teias onde morrerá...
(Felipa Monteverde)
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