Seja bem-vindo, visitante

Olá, Visitante. Chegou aqui, vindo sei lá de onde, quiçá cansado de tantas caminhadas e descaminhos. Pois bem, sente-se, relaxe e leia algumas destas coisinhas, vai ver que fica melhor... Um abraço da Felipa
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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Senhora do Mar

Senhora do Mar,
Vós que sois minha mãe
Dai-me a paz neste navegar.

Ondas sombrias ameaçam o meu barco
Neste obscuro mar
Mar de negras águas e sargaços
Onde navego à procura de uns braços
Em que possa, em cada noite, descansar.

Senhora do Mar
Vós que sois minha mãe
Não deixeis a minha barca naufragar…

(Felipa Monteverde)

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Oração para o mar devolver um corpo


Ontem celebrou-se uma missa pelos dois jovens pescadores, irmãos, desaparecidos no mar há duas semanas. Os corpos ainda não apareceram.

O padre apelou à Senhora dos Navegantes para que alivíe a dor dos familiares, embora não tenha mencionado o facto de os corpos não terem aparecido, talvez para não aumentar essa mesma dor.

Hoje lembrei-me desta oração/poema que me foi ditada há uns anos por uma pessoa idosa e resolvi colocá-la aqui. É de uma dor impressionante.

Súplica ao mar

Ó ondas do mar irado
Com fúria vos lançastes
E numa negra noite roubastes
O meu filho idolatrado.

Agora que estais em calma
Que está sossegado o vento
Trazei-me neste momento
O filho da minha alma.

Ó mar, tu és compassivo
Dá-me o último conforto
Levaste o meu filho vivo
Traze-me o meu filho morto.

(Obtido através de recolha popular, desconheço o autor)

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

As ondas do mar são brancas...

As ondas do mar são brancas
No centro são amarelas
Ai da mãe que cria um filho
Para andar no meio delas...
(quadra popupar)



Se não há palavras de consolo para quem perde um filho no mar, o que dizer a quem perde dois?
Para essa mãe desventurada vão todos os meus silêncios e orações.
Dos seus filhos fica a lembrança: Gilberto, o bem-disposto e alegre; Amâncio, o reservado, corajoso, trabalhador...

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Ilusão

Deitei um dia ao mar o meu sorriso
a ver o que trazia na maré
a ver se me trazia o sal que piso
nas lágrimas de um mau sonho que não é
senão o verbo amar desconjugado
senão a solidão e a desventura
trazidas na maré de um mau-olhado
que à costa deu sem forma ou figura.

E o meu sorriso nadou em negras águas
subiu às ondas, derrubou marés
mas perdeu-se por fim nas minhas mágoas
trazidas na ignorância de quem és:
se és sonho ou navio ou futuro
se és assombração ou alegria
se és sonho mau em que me aventuro
ou simplesmente pura fantasia...

(Felipa Monteverde)