Seja bem-vindo, visitante

Olá, Visitante. Chegou aqui, vindo sei lá de onde, quiçá cansado de tantas caminhadas e descaminhos. Pois bem, sente-se, relaxe e leia algumas destas coisinhas, vai ver que fica melhor... Um abraço da Felipa

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Oração para o mar devolver um corpo


Ontem celebrou-se uma missa pelos dois jovens pescadores, irmãos, desaparecidos no mar há duas semanas. Os corpos ainda não apareceram.

O padre apelou à Senhora dos Navegantes para que alivíe a dor dos familiares, embora não tenha mencionado o facto de os corpos não terem aparecido, talvez para não aumentar essa mesma dor.

Hoje lembrei-me desta oração/poema que me foi ditada há uns anos por uma pessoa idosa e resolvi colocá-la aqui. É de uma dor impressionante.

Súplica ao mar

Ó ondas do mar irado
Com fúria vos lançastes
E numa negra noite roubastes
O meu filho idolatrado.

Agora que estais em calma
Que está sossegado o vento
Trazei-me neste momento
O filho da minha alma.

Ó mar, tu és compassivo
Dá-me o último conforto
Levaste o meu filho vivo
Traze-me o meu filho morto.

(Obtido através de recolha popular, desconheço o autor)

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Os presentes que recebi este Natal


Este quadro foi um dos presentes que recebi este Natal. Mais um presépio para a minha colecção.



Estes são os meus chocolates preferidos: os Imperador, da Avianense. Foi também um presente que recebi, mas o que mais apreciei foi a caixa em forma de livro (aliás, trazia tão poucos chocolates que ainda bem que sou apreciadora de caixas). Mas gostei muito do presente no seu conjunto.




Estes são alguns dos presentes que recebi. Há outros, mas esses não lhes tirei fotografia: é que moro numa aldeia e as pessoas oferecem do que têm (recebi um congro de 3 ou 4 kg, dois polvos grandes, um saco de batatas, vinho, kivis, marmelada caseira, açúcar, arroz, arroz-doce, couves e ovos). Recebi também Vinho do Porto e um kg de chocolate Avianense.
Agradeço a todos.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Ó meu Menino Jesus

Ó meu Menino Jesus
Que trago no coração
Vinde dormir em minh'alma
Descansar na minha mão.

Ó meu Menino Jesus
Nas palhinhas em Belém
Vinde dormir em minh'alma
E enchei-a de luz e bem.

Ó meu Menino Jesus
Numas palhinhas deitado
Nascestes numa lapinha
Descansastes entre o gado.

Ó meu Menino Jesus
Onde estais neste momento
Numas palhinhas deitado
Dentro do meu pensamento.

(Felipa Monteverde)

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

É NATAL!



A todos os meus familiares, amigos, simples conhecidos ou meros desconhecidos e até aos meus inimigos (é Natal!) desejo um Feliz Natal.
Que todos tenham paz, saúde e alegria neste santo dia e santa noite em que nasceu o Salvador do Mundo.

FELIZ ANIVERSÁRIO, MENINO JESUS!

sábado, 19 de dezembro de 2009

Aquela janela virada pro mar

Cem anos que eu viva não posso esquecer-me
Daquele navio que eu vi naufragar
Na boca da Barra tentando perder-me
E aquela janela virada pro mar

Sei lá quantas vezes desci esse Tejo
E fui p´lo mar fora com a alma a sangrar
Levando na ideia uns lábios que invejo
E aquela janela virada pro mar

Marinheiro do Mar Alto
Quando as vagas uma a uma
Prepararem-te um assalto
P´ra fazer teu barco em espuma

Repara na quilha bailando na crista
Das vagas gigantes que o querem tragar
Se não tens cautela não pões mais a vista
Naquela janela virada pro mar

Se mais ainda houvesse mais fortes correra
Lembrando-me em noites de meigo luar
De uns olhos gaiatos que estavam à espera
Naquela janela virada pro mar

Mas quis o destino que o meu mastodonte
Já velho e cansado viesse encalhar
Na boca da barra e mesmo defronte
Naquela janela virada pro mar

Marinheiro do mar alto
Olha as vagas uma a uma
Preparando-te um assalto
Entre montes de alva espuma

Por mais que elas bailem numa louca orgia
Não trazem desejos de me torturar
Como aquela doida que eu deixei um dia
Naquela janela virada pro mar

(Frederico de Brito)

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Naufrágio em Viana do Castelo - a imagem da dor



Foto de Sérgio Freitas/JN, retirada de:
http://jn.sapo.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Viana%20do%20Castelo&Concelho=Viana%20do%20Castelo&Option=Interior&content_id=1449857

O irmão mais novo dos dois desaparecidos, de 23 anos, acompanhado de uma familiar com as fotos dos dois irmãos: de cabelo comprido o Gilberto, de 32 anos, e de cabelo curto o Amâncio, de 30.

Kyrie

Em nome dos que choram,
Dos que sofrem,
Dos que acendem na noite o facho da revolta
E que de noite morrem,
Com esperança nos olhos e arames em volta.
Em nome dos que sonham com palavras
De amor e paz que nunca foram ditas,
Em nome dos que rezam em silêncio
E falam em silêncio
E estendem em silêncio as duas mãos aflitas.
Em nome dos que pedem em segredo
A esmola que os humilha e os destrói
E devoram as lágrimas e o medo
Quando a fome lhes dói.
Em nome dos que dormem ao relento
Numa cama de chuva com lençóis de vento
O sono da miséria, terrível e profundo.
Em nome dos teus filhos que esqueceste,
Filho de Deus que nunca mais nasceste,
Volta outra vez ao mundo!

(José Carlos Ary dos Santos)

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

As ondas do mar são brancas...

As ondas do mar são brancas
No centro são amarelas
Ai da mãe que cria um filho
Para andar no meio delas...
(quadra popupar)



Se não há palavras de consolo para quem perde um filho no mar, o que dizer a quem perde dois?
Para essa mãe desventurada vão todos os meus silêncios e orações.
Dos seus filhos fica a lembrança: Gilberto, o bem-disposto e alegre; Amâncio, o reservado, corajoso, trabalhador...

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Reciclagens

Estes são os cartões que fiz para enviar este
Natal, com cartolina, recortes de revistas e alguns auto-colantes.
Costumo fazer os cartões que envio, ou então compro os de associações que vendem este tipo de artigo nesta altura do ano para angariação de fundos.

Também costumo reciclar o papel de embrulhar os presentes, quer reutilizando-o para fazer embrulhos como recortando os que tiverem imagens bonitas para fazer os postais.
Acho um desperdício desnecessário deitar fora o papel de embrulho; basta que se tenha cuidado ao desembrulhar os presentes e consegue-se reaproveitá-lo. E dá mais suspense desembrulhar os presentes cuidadosamente do que rasgar o papel todo rapidamente...

sábado, 12 de dezembro de 2009

Incentivos

Há incentivos que desencadeiam sonhos
Através de desafios e conquistas consequentes
E há palavras que dão vida a esses sonhos
Através de esperanças conquistadas ao sonhá-los.

Sonhos que de tão sonhados se inovam
Com aspectos impensáveis tornados inconfessáveis
E há gestos que incentivam e se buscam
Quando um sonho se transforma em ideal a alcançar…

(Felipa Monteverde)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Era Natal

Era uma noite gelada
era uma noite tão fria
e o pobrezinho saudoso
do calorzinho do dia.

Havia fogos acesos
em lareiras, em cozinhas
e o pobrezinho gemendo
ia na rua, tremendo
de tanto frio que tinha.

E era Natal.
As luzinhas nas janelas
imitavam as estrelas
e os pinheirinhos tão belos
anfitriões de castelos
arrogavam a pobreza
de quem nada tem à mesa
e cintilavam dolentes.

E era Natal.
Era Natal pelas casas
onde havia boas brasas
em lareiras, em fogueiras
e a alegria das prendas
e as toalhas de rendas
cobertas com os manjares.

E era Natal.
Natal onde não há pobres
porque esses ficam na rua
onde só a mágoa é sua
que o resto... pertence aos nobres.

E é Natal.
Na minha casa e na tua
e o frio fica na rua
e a fome fica lá fora
"Já não há pobres agora"
dizemos com convicção
"ninguém tem fome de pão
que o pão só faz engordar..."

E é Natal...

(Felipa Monteverde)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O Presépio


Já fiz o meu Presépio. Este ano comprei uma árvore, a que eu tinha era muito pequena e quis uma maiorzinha. Não fui ao monte procurar uma árvore natural porque estava mau tempo.

Para mim o Natal tem de ter Presépio, senão não é Natal.
Não gosto do Pai-Natal no centro das atenções natalícias, é como ser outra pessoa a festejar o nosso próprio aniversário e a receber os parabéns.

O Natal é a festa do aniversário de Jesus, celebra-se o nascimento do Deus-Menino, portanto é a Ele que devemos parabenizar e acolher no nosso coração.

Mas, apesar de colocar o Menino no centro das atenções, também aceito a presença do Pai-Natal, que me empresta o seu saco para colocar presentes.


Assim, ao lado do Presépio coloco sempre um saco vermelho, onde vou guardando os presentes que a familia recebe e que serão abertos na Noite de Consoada, depois da Ceia.

Os presentes que o Pai-Natal traz só serão abertos pelos meus filhos na manhã de Natal, depois de o Pai-Natal os pôr durante a noite nos respectivos sapatinhos...

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

N. S. da Conceição



(Imaculada, Hospitaleira
do própio Deus a Hospedeira;
o que Deus quer, em nós se faça
como em Ti, Cheia de Graça...)

Hoje é o dia de Nossa Senhora da Conceição, Rainha e Padroeira de Portugal.

Esta imagem foi-me oferecida por uma amiga chamada Maria da Conceição. Foi-lhe oferecida num aniversário, mas ela não aprecia imagens e deu-ma (tenho uma pequena colecção de Nossas Senhoras, Santos e Santas).

Lembro-me que, quando eu era mais nova, era neste dia que se festejava o Dia da Mãe. Entretanto essa comemoração mudou para o 1º domingo de Maio, mas nos primeiros anos havia quem festejasse o Dia da Mãe duas vezes no ano.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Aleluia do amor

(Para a música "Hallelujah", by Alexandra Burke)

Eu vi um dia o teu olhar
Ouvi os sinos a tocar
E soube que algo em mim se transformava
Senti-me em paz e suspirei
O amor chegara e eu deixei
Que me envolvesse a alma, Aleluia.

Aleluia, Aleluia, Aleluia, Aleluuuuia!

Brilhavam estrelas e a lua
Alumiava a minha rua
Aromas de mil rosas me encantavam
Senti que o mundo era um jardim
O amor nascia para mim
E entrava em minha alma, Aleluia.

Aleluia, Aleluia, Aleluia, Aleluuuuia!

E brilha o sol dentro de mim
A minha alma é um jardim
Em que te estendo a mão e é Paraíso
Não é quimera ou ilusão
Ou sonho ou mera confusão
É a minha mão na tua, Aleluia.

Aleluia, Aleluia, Aleluia, Aleluuuuia!
Aleluia, Aleluuuuia!

(Felipa Monteverde)

domingo, 6 de dezembro de 2009

Evangelho do dia

1No décimo quinto ano do império de Tibério César, quando Pôncio Pilatos era governador da Judéia, Herodes administrava a Galiléia, seu irmão Filipe, as regiões da lturéia e Traconitide, e Lisânias a Abilene; 2quando Anãs e Caifás eram sumos sacerdotes, foi então que a palavra de Deus foi dirigida a João, o filho de Zacarias, no deserto.

3E ele percorreu toda a região do Jordão, pregando um baptismo de conversão para o perdão dos pecados, 4como está escrito no livro das palavras do profeta Isaías: "Esta é a voz daquele que grita no deserto: 'preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. 5Todo o vale será aterrado, toda a montanha e colina serão rebaixadas; as passagens tortuosas ficarão rectas e os caminhos acidentados serão aplainados. 6E todas as pessoas verão a salvação de Deus"'.

Do Evangelho segundo S.Lucas (Lc 3, 1-6)

A Estrela

Vi uma estrela tão alta,
Vi uma estrela tão fria!
Vi uma estrela luzindo
Na minha vida vazia.

Era uma estrela tão alta!
Era uma estrela tão fria!
Era uma estrela sozinha
Luzindo no fim do dia.

Por que da sua distância
Para a minha companhia
Não baixava aquela estrela?
Por que tão alta luzia?

E ouvi-a na sombra funda
Responder que assim fazia
Para dar uma esperança
Mais triste ao fim do meu dia.

(Manuel Bandeira)

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Responso de Santo António


Perdi uma pen-drive, à qual dava muito valor pois tinha nela guardado muito trabalho. Estou desolada e triste, não tenho esperanças de a encontrar pois já procurei em tudo quanto é canto e sítio e ela ainda não apareceu.

Costumo rezar o responso de santo António quando perco coisas que quero recuperar depressa, mas desta vez estou desanimada e não consigo ter fé. Resolvi então escrevê-lo aqui, porque assim vou ao menos rezando mentalmente enquanto o vou escrevendo.

Dizem que Santo António recupera os objectos perdidos e eu própria posso testemunhar isso, já encontrei coisas perdidas depois de rezar o seu responso. Dizem também que devemos rezar sem nos enganarmos nas palavras, para que o objecto seja encontrado, caso contrário pode não o ser.
Será que vai dar resultado? A ver vamos...


RESPONSO DE SANTO ANTÓNIO

Se milagres desejais
Recorrei a Santo António
Vereis fugir o demónio
E as tentações infernais.
Pela sua intercessão
Foge a peste, o erro, a morte
O fraco torna-se forte
E torna-se o enfermo são.
Recupera-se o perdido
Rompe-se a dura prisão
E no auge do furacão
Cede o mar embravecido.
Todos os males humanos
Se moderam, se retiram
Digam aqueles que o viram
E digam-no os paduanos.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo
Como era no princípio, agora e sempre, ámen.

Rogai por nós, Bem-aventurado e Santo António,
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O Natal está a chegar...


Está a chegar o tempo (ou já chegou) do Natal, a quadra natalícia, como soi dizer-se. Ainda não me deixei entranhar pelo lado comercial da coisa (quer dizer, mais ou menos) mas já vou sentindo uma aproximação.
Ainda não preparei a árvore; normalmente só o faço no dia 8 de Dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceição, Padroeira e Rainha de Portugal.
A minha árvore de Natal costuma ser um pouco cómica, pois como sou pela preservação da Natureza mas ao mesmo tempo aprecio mais uma árvore de Natal natural do que de plástico, vou ao monte (que fica perto da minha casa) ou vão os meus filhos, e trazemos uma árvore que já esteja cortada.
Algumas pessoas cortam árvores sem repararem bem se serve para o local onde as vão pôr, ou então cortam-nas e depois verificam que são muito feias, com poucas agulhas (estou a falar do pinheiro bravo) ou simplesmente porque cortam e é grande, ou pequena, ou torta, enfim, há quase sempre árvorezinhas cortadas e abandonadas por ali.
E é precisamente uma árvore dessas que trago para casa e enfeito, assim pobrezinha de agulhas e feia de feitio.
Se não encontrarmos uma árvore cortada não trazemos nenhuma. Então enfeito uma pequenina de plástico (tem 1 metro de altura, ou menos) que comprei há tempos por 2€ (juntamente com uma revista). Como é uma árvore pequena coloco-a em cima de uma mesa, na sala.
Para mim o mais importante é o presépio, não é a árvore, por isso serve-me uma qualquer...

O sol aquece

O sol aquece o corpo frio de alguém
abraça o mar e beija a terra
mas esquece a dor de ter a alma fria
e ignorar o amor e o calor
de ter alguém junto do peito aconchegado
essa imensa dor de existir que eu sempre sinto
por saber-te aqui tão perto
e tão distante do meu peito...

(Felipa Monteverde)

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Nostalgia de uma alma

Não sei o sentido de viver
Nas saudades que eu sinto do céu
Só sei que não me assusta morrer
Sabendo que lá estarás mais eu.

Tenho saudades de falar contigo
Tenho vontade de te ver de novo
Perdendo-te perdi todo o sentido
De uma vida onde me demoro...

(Felipa Monteverde)

Com o passar dos anos...

Com o passar dos anos verificamos que certas coisas que nos pareciam anormais e inacreditáveis se nos tornaram realidades indispensáveis.

Do mesmo modo verificamos que certas coisas sem as quais não conseguíamos viver se tornaram simplesmente banalidades...

Para quem tem fé em Deus isso chama-se Evolução Espiritual, Crescimento Interior.

Para quem não tem fé chama-se apenas experiência de vida...

Entra na vida a cantar...

Entra na vida a cantar, será mais fácil enganar o tempo de chorar
E então, se quiseres, saberás sorrir
Basta que cantes a melodia preferida da pessoa que mais amas…

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Tentativa em F.

Je suis très fatigué
Et je ne comprends pas
Pourquoi je suis de cette mode, fatigué e triste.
J’espère toujours
Pour quelque chose ou quelque un
Que me anime e me aime.

Moi j’aime la vie
Mais la vie me brise e me déprime
A tout le temps.

Moi j’aime d’écrire
Mais avant d’écrire
J’ai à besoin de espoir e d’amour…
Si je n’ai l’espoir et l’amour
Je ne pou pas d’écrire.
Et je suis triste pars que je n’écrire rien…

(Felipa Monteverde)

domingo, 29 de novembro de 2009

Advento



“Preparai os caminhos do Senhor, endireitai as suas veredas…”
(do livro de Isaías)

Advento, tempo de preparação para a chegada do Senhor.
Lavemos e perfumemos a alma com a leitura dos santos Evangelhos, com o sacramento da Penitência e abrindo o nosso coração ao amor fraterno e à alegria da ansiedade pela chegada do Rei dos Reis…

"ELE está pra chegar..."

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Madalena

Descai o sol... nos olivais do monte
Recolhe o gado o pastor. Das largas eiras
Vêm vindo as filhas de Jacob à fonte
Com seu rítmico andar entre as palmeiras.

Um rouxinol suspira no loureiro
É essa hora do ocaso meiga e terna
Em que o sol busca o mar como um boieiro
Que vem beber à boca da cisterna.

Madalena em Betânia desatando
Seu cabelo, qual fúlgido lençol
Limpa os pés do Rabi, humilde olhando
Seus olhos cheios de domínio e sol.

Um pescador trigueiro das baías
Deitando a rede diz, olhando o rio
Quando virá o lúcido Messias
Quem é este Rabi loiro e sombrio?

Mas Madalena, num amargo choro
Limpa os pés do Rabi, cheia de amor
Com seus longos cabelos feitos de oiro
E baixinho murmura: é meu Senhor.

O sol morreu... nos olivais do monte
Rompe virgem o luar. Às largas eiras
Vão saindo as filhas de Jacob da fonte
Com seu rítmico andar entre as palmeiras.

Frei Hermano da Câmara

(Escrevi a letra ouvindo a canção, espero tê-la ouvido bem. O problema é saber a pontuação correcta, mas cada um que use a imaginação.)

O meu cantor favorito é o loiro

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Pedi à vida

Pedi à vida que me protegesse
quando me senti a naufragar;
Ela respondeu: que não temesse
que meus sonhos haveriam de boiar...

(Felipa Monteverde)

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Conversas a sós...

Toda a nossa vida é um pequeno grão de areia, se compararmos com o infinito do Universo. A questão é saber se somos areia de um árido deserto ou de uma paradisíaca praia...

Às vezes é necessário isolarmo-nos do mundo para escutarmos a voz de Deus dentro do nosso coração...

Ter Deus no coração é transportar o amor na alma, ter o Céu dentro do peito e arder em branca chama....

(Felipa Monteverde)

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

A história preferida do Zezé

Esta é a história que o Zezé ouviu vezes sem conta, a que ele escolhia quando a mãe contava uma historinha para os filhos, antes de adormecer. Para o Zezé, esta era a mais bonita das histórias.

O menino que queria um carrinho

Era uma vez um menino que queria um carrinho, mas a mãe dizia que não lhe dava um carrinho, porque ele o estragaria. Ele prometia que não, que não estragaria o carrinho, mas a mãe dizia que não acreditava nisso, que ele de certeza que estragaria o carrinho.
Um dia a mãe foi à cidade e, para espanto do menino, trouxe de lá um lindo carrinho. E deu esse carrinho ao menino, que nem queria acreditar.
- É para mim? - perguntou.
- É, sim. - respondeu a mãe.
O menino ficou tão contente! Deu um beijo à mãe e foi logo a correr chamar pelo seu amigo João Pedro, para brincar com ele e com o seu carrinho.
Brincaram, brincaram, até que chegou a hora de o João Pedro ir para a sua casa e o menino teve de arrumar o carrinho e ir jantar.
À noite, na cama, adormeceu o menino tranquilamente, abraçado ao seu carrinho
.

(Há 18 anos eras uma pequena coisinha nos meus braços, hoje és um rapagão. Feliz aniversário, meu filho, e que Deus te proteja e abençoe).

Lembranças

Às vezes
sinto-me perdida entre lembranças
que estremecem no meu peito e querem de lá sair
mas são lembranças enterradas tão profundamente
que não consigo alcançá-las para as expulsar de mim...

São recordações
de ocasiões e de momentos tão sombrios
que o meu coração as rejeitou e enterrou
entre os mistérios mal adormecidos que me encaminhavam para ti
e transformaram o amor em algo negro
tão misterioso e ténue como o sonho em que eu dormia.

E a minha alma chora sem parar
só por não mais conseguir revisitar esses momentos...
esses momentos hoje amargos e confusos
mas que outrora me fizeram tão feliz
quando ignorava as atracções e descaminhos
que te afastavam para sempre dos meus braços...

(Felipa Monteverde)

domingo, 22 de novembro de 2009

Da Epístola Universal do Apóstolo Tiago

Capítulo 1

3 - Sabendo que a prova da vossa fé obra a paciência.
4 - Tenha, porém, a paciência a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, sem faltar em coisa alguma.

5 - E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá, liberalmente, e o não lança em rosto.
6 - Peça-a, porém, com fé, não duvidando; porque o que duvida é semelhante à onda do mar, que é levada pelo vento, e lançada de uma para outra parte.

13 - Ninguém, sendo tentado, diga: "de Deus sou tentado"; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta.
14 - Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência.

19 - ...todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.
20 - Porque a ira do homem não opera a justiça de Deus.

26 - Se algum entre vós cuida ser religioso, e não refreia a sua língua, antes engana o seu coração, a religião desse é vã.

Capítulo 2

10 - Qualquer que guarda a Lei, e tropeçar num só ponto, tornou-se culpado de todos.
11 - Porque, Aquele que disse: "não cometerás adultério", também disse: "não matarás". Se tu, pois, não cometeres adultério, mas matares, estás feito transgressor da Lei.

Hoje é domingo

Ontem comprei duas imagens do Menino Jesus, para a minha colecção. O Menino Jesus é a minha paixão e tenho-O em vários tamanhos.
Há dois símbolos da minha religião que eu adoro: a Cruz de Cristo e o Menino Jesus. O Menino torna-me mais compreensiva, mais atenta aos outros, menos egoísta. A Cruz lembra-me o sacrifício do Redentor e torna-me mais humilde, altruísta e menos vaidosa.

Hoje é domingo. Ao domingo eu vou à missa.
Não me importam as críticas que esta afirmação possa gerar; não pretendo impor o meu catolicismo a ninguém, mas não me acobardo ou envergonho por o ser.
VIVA JESUS! Que Deus abençoe a todos que lêem estas palavras, eu amo vocês!
Parece pieguice, mas hoje sinto-me cheia de amor pra dar (estou a ser sincera). É o resultado da presença do Menino Jesus, certamente!

Um abraço para todos, em Cristo Jesus. Bem-hajam.

sábado, 21 de novembro de 2009

As cartas

Sentei-me à secretária para responder a uma carta e percebi que há muito tempo não fazia essa tarefa, tão vulgar antigamente.
Actualmente andamos tão ocupados que deixámos de lado as cartas, andamos tão atarefados que tentamos simplificar tudo, para podermos fazer cada vez mais coisas em menos tempo.

Deixámos de escrever cartas, agora enviamos mails ou SMS...
Deixámos de lado a pieguice de escolher o papel, em função da pessoa a quem era dirigida a carta...
Deixámos de lado o tempo passado a responder a cartas, das quais ficávamos à espera de resposta na volta do correio...
Deixámos de lado o romantismo de sofrer pela demora na resposta ansiada...
Deixámos de lado a ansiedade em receber essa mesma resposta, tantas vezes contrária ao que desejáramos...
Deixámos tanta coisa de lado, arrumada no sótão dos tempos passados, dentro da arca das lembranças, que uma simples resposta a uma carta que hoje tive de fazer (mas era uma carta profissional, técnica), despoletou em mim a nostalgia e a vontade de querer receber uma carta de verdade.

Por isso estou a escrever esta missiva e vou enviá-la a um amigo, a ver se recebo resposta.
E se me enganar no endereço?
E se ele demorar a responder?
Que sensação maravilhosa, esta ansiedade em receber uma carta... Será que vou ficar desiludida com a resposta?
Será que vou ter resposta?

(Felipa Monteverde)

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Gratidão

Às vezes sinto vontade de olhar o céu e dizer apenas: Obrigada, Senhor!

Sinto vontade de agradecer, embora não saiba bem quais os motivos que me tornam grata.

Sinto essa sensação de gratidão e agradeço. E depois sinto-me feliz e contente, como se tivesse cumprido uma tarefa da qual recebi retribuição...

Acordo...

Todos os dias acordo prisioneira de sentidos. Sinto-me presa ao sentido de viver perto de ti, ao sentido de te amar perdidamente e te entregar tudo que sou...

Acordo... mas permaneço adormecida no meu peito, ninfa isolada num casulo de ilusões e irrealidades, recebidas de um amor errante e inseguro como o teu...

Acordo... mas ando todo o dia sonambulando por aí, espírito difuso e caminheiro de ilusões e desencontros, vaga morta de maré a acontecer...

Acordo... mas parte do meu ser continuará dormindo, todo o dia e toda a vida, nesta vida e neste tempo que me fogem ao encontro de alguém que não conheço e que és tu...

(Felipa Monteverde)

Considerações sobre o amor

Amar é sofrer, dizem... mas também é alegria, carinho, ternura, paixão, tolerância, compreensão
e, principalmente, é um friozinho na barriga que se sente, como se estivéssemos à beira de um abismo e soubéssemos que nos atiraríamos sem hesitação, se necessário fosse...

O amor é tudo o que se deseja, mas pode trazer tudo o que não se quer. É preciso cuidado na escolha que fazemos quando entregamos o nosso coração, para que o sofrimento que esse amor possa trazer seja menor, bem menor, do que todas as alegrias que certamente nos trará...

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Divagando...

Fiquei contente sem motivo algum, apenas vi o sol raiar
e soube nessa hora matutina que a vida vale a pena ser vivida...
pois viver é ser alguém, ainda que esse alguém
seja matéria adormecida.

Se sonhar é ter o mundo ao nosso gosto
acordar é viajar para o desconhecido espaço das estrelas
e perceber então que o sol adormeceu...
com a cabeça no regaço delas.

Eu queria ser estrela, ser um astro
mas apenas sou candeiazinha a alumiar
o caminho por onde irás passar...
um lampião velhinho e gasto.

Escrevo a noite e canto o dia, e o mundo é apenas
sonho e fado em que a minh'alma se enterrou...
sepultura negra e fria, campa rasa em solo de ervas
onde a vida se escondeu e me deixou.

Acordei dentro do tempo
e tinha adormecido dentro do teu coração...
agora vivo à espera de voltar a adormecer
mas a distância afastou-me do teu peito
e libertou da tua a minha mão.

(Felipa Monteverde)

Recordação

Passeio a mente entre os abismos da memória e perco-me no espaço em que te escondi
Procuro recordar tantas marés, tantos encontros
mas a praia esvaneceu-se na neblina
e o nevoeiro ocultou o nosso amor...

(Felipa Monteverde)

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Quando...

Quando a manhã rompe o véu da noite escura, descubro que tudo é luz e infinito.
Quando o Sol acorda a Terra e a alumia, percebo que a luz é vida eterna.
Quando a chuva molha a Terra sequiosa, compreendo a avidez do meu olhar...
e quando o mar é sonho e horizonte, descubro toda a dor de te perder...

(Felipa Monteverde)

domingo, 15 de novembro de 2009

Hoje...

Hoje andei ao vento e à chuva mas era mentira. Apenas meu olhar te recordava e eu sofria...

(Felipa Monteverde)

sábado, 14 de novembro de 2009

Peregrinação

Hoje fiz uma peregrinação, a pé, a um santuário mariano. Foi uma caminhada de quatro horas, mais ou menos, e foi muito edificante.
Gosto de fazer este tipo de caminhada pois convive-se com outras pessoas, conversa-se, reza-se, etc. O grupo era unido, o que é muito bom também.
O santuário era o de Nossa Senhora Aparecida, em Balugães, um santuário pequenino se o compararmos com Fátima, por exemplo, mas onde nem por isso se deixa de sentir o espírito de Deus.
Ao chegar ao cimo do monte e entrar na capelinha, onde uma imagem de João Mudo está defronte da de Nossa Senhora (João Mudo era um rapaz a quem Nossa Senhora apareceu e curou da sua mudez) sente-se o alívio pela jornada feita e a vontade de ajoelhar e rezar.
Nas terras vizinhas há o costume de fazer a peregrinação a pé ao santuário, em pagamento de graças recebidas ou então como uma forma de fazer um pedido à Senhora.
Haja fé ou não, a verdade é que todos os anos passam por esse santuário centenas de pessoas, das mais diversas idades e estratos sociais. Uns vão a pé, outros de automóvel ou autocarro, mas todos ali vão para venerar a Senhora Aparecida em Balugães.
No final da caminhada, já no santuário, rezámos o terço com a meditação dos mistérios. E, no alto daquele monte, rezando o terço ao ar livre com aquele pequeno grupo de pessoas, eu senti que a Senhora nos abençoava.
Idiotices? Talvez, mas sabem bem!...

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

À Mãe do Céu

Mãe do Céu, terna Senhora
que olhas, do alto, a Terra
conforta os pobres, os tristes
os despojados da guerra.

Lembra-Te, Mãe admirável
que todos somos Teus filhos
somos irmãos de Jesus
apesar de tão indignos.

Mãe do Céu, nossa Rainha
Senhora terna e bela
confortai-nos na ansiedade
sede nossa branca estrela

A alumiar os caminhos
dos que seguem a Jesus;
Senhora, mesmo indignos
deixa-nos ver Tua luz

Sê a nossa estrela-guia
sê o nosso lampião
alumia a nossa vida
e o nosso coração...

(Felipa Monteverde)

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Eu trazia comigo

Eu trazia comigo a desventura
de ignorar o medo e o prazer
que me daria o amar-te tanto, esta ternura
que por ti sinto e sofro...
e quero ter a tua alma junto à minha
morando numa humilde casinha
bem defronte ao mar...
que nos meus olhos vai a praia encher.

(Felipa Monteverde)

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Ilusão

Deitei um dia ao mar o meu sorriso
a ver o que trazia na maré
a ver se me trazia o sal que piso
nas lágrimas de um mau sonho que não é
senão o verbo amar desconjugado
senão a solidão e a desventura
trazidas na maré de um mau-olhado
que à costa deu sem forma ou figura.

E o meu sorriso nadou em negras águas
subiu às ondas, derrubou marés
mas perdeu-se por fim nas minhas mágoas
trazidas na ignorância de quem és:
se és sonho ou navio ou futuro
se és assombração ou alegria
se és sonho mau em que me aventuro
ou simplesmente pura fantasia...

(Felipa Monteverde)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Quando a noite vem...

Quando a noite vem, deixo que a minha alma durma
entre os sonhos desmentidos pelo som do verbo amar...

Que amar é tão forte como o vento
o vento que espalha os meus sentidos por sobre as águas do mar...

(Felipa Monteverde)

Dorme na noite o sentido

Dorme na noite o sentido
que dei ao meu coração
sossegado, adormecido
nesta sã escuridão
que me afasta os temores
que me aproxima a saudade
dos meus distantes amores
dos dias da mocidade
em que brincava na rua
em que plantava jardins
em que era dona da lua
entre anjos e querubins
e passeava na vida
como quem vive a brincar
como quem sabe a partida
mas tem ânsias de ficar
no tempo que tudo esquece
no tempo que tudo dá
aos sentidos de quem tece
teias onde morrerá...

(Felipa Monteverde)

sábado, 7 de novembro de 2009

Grito

Já o tempo nasceu e eu morri
deixei a minha alma ir-se embora
vi-a partir e nada fiz ou disse
e ela foi-se, foi-se daqui fora...

E eu triste fiquei, morta e seca
de lágrimas choradas na saudade
em que a vida me embala e me empresta
salgadas gotas da imensidade

em que mergulho sem molhar os pés
em que navego e nunca sei a rota
em que espero o barco e a força das marés
e apenas oiço gritos de uma gaivota

que me traz o destino de não te encontrar.
E a ventania espalha a minha alma morta
sobre as ondas eternas de um imenso mar
onde o tempo se esconde atrás de negra porta...

(Felipa Monteverde)

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

O calor do Sol

Há quem diga que o Sol brilha por brilhar
Eu acho que brilha para nos aquecer com seu calor
Para fazer crescer as plantas e dar saúde às pessoas...
Quem poderia viver sem o calor do Sol?

Sol é calor, é ternura, é um abraço de Deus
Um carinho que Ele nos faz do alto da Sua plenitude...

Deus criou o Sol para poder beijar as suas criaturas
Para poder abraçá-las sem lhes fazer mal;
O calor do Sol é o Seu abraço
É o seu modo de nos dar consolo na tristeza
Carinho no cansaço, companhia na solidão...

Quem é que não gosta do calor do Sol?
Quem nunca sentiu o calor do Sol nas costas,
Como se fosse um abraço de um amigo?

(Felipa Monteverde)

Uma certa luz

Uma certa luz...
Luz para iluminar o meu caminho
Para mostrar as setas da verdade
Que guiariam a minh'alma no sentido
De me levar à eterna claridade...

Uma certa luz é o que preciso
Para combater esta ansiedade
E encontrar o sonho, o paraíso
De luz que ilumina a eternidade...

Uma certa luz... e ver no céu
A claridade da última estrela
Sentindo que ela é eu e eu sou ela...

Abrir meus olhos à eterna verdade
Cegar a vista nesta claridade
Em que a minh'alma já adormeceu...

(Felipa Monteverde)